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Alexandre Guimarães fala sobre a extinção do Jundu, em Ubatuba.

Alexandre Guimarães fala sobre a extinção do Jundu, em Ubatuba.

O Jundu

Os surfistas sempre foram grandes interessados em assuntos relacionados ao meio ambiente e sua preservação, principalmente o ambiente utilizado para a prática do esporte, ou seja, o mar e as praias.

Dentro da premissa de que é importante conhecer para conservar, falaremos hoje sobre a vegetação existente nas praias, entre elas o Jundu, que poucos conhecem, bem como sua importância para a preservação da biodiversidade e para a estabilização da areia.

A maior parte das pessoas que frequentam as praias e entre elas muitos surfistas desconhecem o que seja “aquele matinho” que cresce na areia e devido à esse desconhecimento, o jundu se tornou um bioma em extinção. A ocupação imobiliária do litoral, a abertura de estradas e ruas suprimiu quase totalmente esse tipo de vegetação, o pouco que sobrou ainda sofre com os usuários das praias que muitas vezes estacionam veículos sobre seus ramos ou mesmo os danificam com a montagem de barracas de comércio, palanques de campeonatos de surfe, entre outros.

Trata-se de uma vegetação arbustiva cujo tamanho varia de 30 cm até 1,5m que cresce sobre a areia, possuindo raízes bastante ramificadas que “seguram” a areia, evitando a erosão. A erosão ocorre de maneira muito mais acentuada nas praias que não possuem essa vegetação, causando grandes prejuízos para a natureza e até mesmo riscos as construções mais próximas ao mar, como exemplo claro e recente podemos citar o caso da Praia de Massaguaçu, em Caraguatatuba, onde o Poder Público foi obrigado a construir de forma emergencial muros de arrimo, pois o mar já havia levado toda a faixa de areia e começava a derrubar trechos da Rodovia Rio-Santos. Cabe ressaltar que a erosão afeta de modo direto o modo com que a areia é carreada para o mar, modificando os fundos dos nossos beach breaks e atrapalhando a boa formação das ondas, prejudicando a prática do surfe, por isso não é raro ouvir de surfistas mais antigos que “antigamente quebravam altas” em vários de nossos picos e hoje já não rola com a mesma qualidade.

No litoral norte de São Paulo vários esforços tem sido feitos no sentido de replantar o jundu e preservá-lo, com destaque especial à Praia Vermelha do Norte, em Ubatuba, onde os surfistas locais abraçaram a ideia e passaram a defender o jundu fazendo cercamento de modo a impedir que carros invadam a área da vegetação e colocando placas educativas.

Devido à essas particularidades e da vulnerabilidade dessa vegetação, ela possui hoje proteção legal, é proibido suprimir, cortar ou construir sobre o jundu e qualquer agressão deve ser denunciada o mais rápido possível à Polícia Ambiental.

 

Por: Alexandre Guimarães / Surf Today

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