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Cheyne Kawani entrevista a surfista profissional Jacqueline Silva.

Cheyne Kawani entrevista a surfista profissional Jacqueline Silva.

Jacqueline Silva. Foto: Arquivo pessoal

CHEYNE KAWANI-  Hoje vou conversar com a minha amiga Jacqueline Silva, a Jacke para os mais próximos, uma legítima surfista de Florianópolis que escreveu uma parte importante da história para o Brasil no mundo surf.

CHEYNE KAWANI- Olá Jack, tudo legal contigo? Podemos começar com você nos contanto sobre alguns dos seus títulos mais importantes na sua trajetória, apenas alguns (risos)?

JACQUELINE SILVA-  Tudo ok, meus principais títulos foram; Tetra campeã catarinense(91 a 94) campeã brasileira amadora(96) vice-campeã do WQS (World Qualifyng Series ) em 2000, campeã do WQS em 2001, vice campeã mundial do WCT ( Primeira divisão do surf mundial World Circuit Tour atualmente a WSL) em 2002, bi-campeã do WQS em 97 e minha ultima conquista foi ser campeã sul americana em 2014.CHEYNE KAWANI- Jacke, onde você começou a dar suas primeiras remadas em Florianópolis, e como sua primeira prancha chegou a você ?
JACQUELINE SILVA- Comecei a surfar na Barra da Lagoa em Floripa aos 9 anos e sempre acompanhada do meu irmão Leandro Silva, começamos com uma prancha de isopor e logo depois conheci o Bira Schauffert que se tornou meu técnico, e foi meu empresário por muitos anos, ele quem me deu a minha primeira prancha, era usada tamanho 5,5.
 
CHEYNE KAWANI- E a primeira competição? A gente nunca mais esquece né? Foi desse dia em diante que você decidiu ser uma surfista profissional ?
JACQUELINE SILVA- Comecei a competir com os meninos nas categorias estreante e iniciante, foram alguns eventos até começar a competir com as meninas na categoria feminina, mas a cada evento que eu participava via ali a oportunidade e a vontade de seguir competindo.
CHEYNE KAWANI- Jacke, conte um pouco desse começo da sua jornada do surf competição, os seus pais e amigos à apoiavam totalmente ?
JACQUELINE SILVA- Sempre tive o apoio da minha família e dos meus amigos, os meus pais e os meus irmãos me acompanhavam nas competições, meu irmão mais velho Leandro também competia na categoria *Mirim* e minha irmã se aventurou em alguns eventos mas não sentia pelo surf o que eu já sonhava,  os meus amigos também sempre me davam a maior força e ficavam na torcida.
CHEYNE KAWANI- A primeira viagem internacional foi para surfar onde ? Você foi treinar ou já foi para competir ?
JACQUELINE SILVA- Minha primeira viagem internacional foi para Huntington Beach na Califórnia representar o Brasil no ISA GAMES em 96, evento esse que reuniu vários países, e tive um grande desempenho fazendo a final e terminando na 3˚ colocação, até chegar a final passei várias baterias, talvez umas seis, foi demais esse evento e o resultado.
CHEYNE KAWANI- Na sua fase no início do surf competitivo já haviam barreiras a serem transpostas e dificuldades ou já foi melhor esse aspecto no surf feminino ?
JACQUELINE SILVA- Não tive muitas dificuldades particulares no inicio, somente a categoria feminina que não existia, ou era raro ter competições nessa categoria, mas foi ótimo ter começado a competir com os homens no restante eu sempre tive toda assistência e incentivo.
CHEYNE KAWANI- Jacke, hoje vemos a competição do surf feminino parecer abandonada, conte-nos como isso aconteceu na sua opinião ?
JACQUELINA SILVA- O surf feminino esta vivendo a sua pior fase, não sei a que se deve isso, o Brasil foi um pais que sempre investiu no esporte, tivemos um circuito profissional invejável ( Circuito Super Surf), pois era o melhor circuito existente em termos de premiação e organização, foi realizado por muitos anos mas infelizmente acabou, de 4 anos pra cá os atletas foram abandonados e principalmente as meninas onde foram reduzidos extremamente o numero de eventos, uma triste realidade mas ainda temos esperança que melhore com a atual fase do esporte do país, isso em função do Gabriel Medina ter sido nosso primeiro campeão mundial de surf, hoje temos mais visibilidade e um grande espaço na mídia, o que ajuda muito o esporte, só faltam voltar os apoios as atletas e um circuito descente.
CHEYNE KAWANI- E do alto de toda sua experiência, o quê você acha que deveria ser feito para que esse quadro mude e o surf feminino voltasse a ter muito mais atenção?
JACQUELINE SILVA- Acho que a união de todos a favor da volta dos grandes eventos e também uma atenção maior das marcas e investidores que lucram com o esporte.
CHEYNE KAWANI- Jacke, já existe algum movimento entre as meninas do surf para que voltem a acontecer os grandes eventos nacionais?
JACQUELINE SILVA- Estamos com uma campanha #surffemininosim que estamos tentando divulgar pra que tenhamos mais visibilidade e com isso que as coisas  possam acontecer, algumas meninas se disponibilizaram a contactar as associações locais de cada estado na intenção de que tenhamos mais competições para nossa categoria.
CHEYNE KAWANI- Jacke, por favor deixe um conselho ou um recado da pessoa Jacqueline Silva para as garotas que desejam ser grandes competidoras como você é .
JACQUELINE SILVA- Em meio essa fase ruim que vive o surf feminino é difícil deixar algum recado motivador para as meninas que estejam começando e almejando chegar mais longe, mas acho que é fase e toda fase vem e passa, eu tenho muita fé em Deus que essa vá passar também, o que posso dizer de coração é que não desistam, surfar é demais, o contato com a natureza, fazer novas amizades, só isso já vale qualquer esforço.
CHEYNE KAWANI- Muito obrigado por essa conversa jacke, saiba que todos nós surfistas  te admiramos e somos agradecidos por toda sua história no surf, e também por estar levando a nossa bandeira ao lugar mais alto do Pódio.
“Boa Sorte as Meninas do Surf”.
JACQUELINE SILVA- Muito brigado meu brother Cheyne,  continuamos nessa luta para que tudo melhore
Beijos!

 

Veja abaixo a galeria de fotos com alguns momentos da Jacqueline Silva: 

 

Por: Cheyne Kawani / Surf Today

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