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Cheyne Kawani entrevista Paulo Issa, o narrador oficial do circuito mundial de surf pela webcast da WSL !!!

Cheyne Kawani entrevista Paulo Issa, o narrador oficial do circuito mundial de surf pela webcast da WSL !!!

Grande Paulo Issa, todos que estão acompanhando o circuito mundial o conhecem fazendo a cobertura nas transmissões ao vivo pela internet no site oficial da WSL (World Surf League) direto da Austrália.

Unanime na opinião da nação surfística do Brasil, seus comentários empolgantes levantam a galera como uma emocionante partida de futebol.
Cheyne: Olá Paulo, acho que todos os surfistas gostariam de saber como é o ambiente dentro do palanque entre os atletas da elite do surf mundial, eles são extrovertidos, conversam com todos ou são mais do tipo introspectivos e concentrados?
Paulo Issa: Na maioria das vezes eles são muito extrovertidos, até mesmo por se tratarem de garotos bem novos, falam e conversam com todo mundo, mas é lógico que mesmo sendo novos, carregam uma responsabilidade que cobram de si mesmos, pois ralaram para conseguir chegar onde chegaram. Nos momentos que antecedem as baterias todos se mantém concentrados e focados, quando estão de boa brincam, tiram onda entre si, trocam idéias e lógico não largam seus Smartphones.
Cheyne: E quando vocês que estão esperando uma nota e de repente aparece outra totalmente diferente na tela, dão a sua opinião ou controlam a emoção?
Paulo Issa: Eu já fui juiz, o Rubens Goulart foi Juiz inclusive da Asp, hoje WSL e o Pedro Muller tem muita experiência como atleta profissional, lógico que nosso feeling nos dá a condição de termos uma idéia do que está por vir, mas somos como qualquer outro, as vezes esperamos  uma coisa e não acontece, várias notas que pensávamos ser de um jeito e vieram de outro, sendo para o lado ruim ou para o lado bom para os brasileiros. Mas o mais importante é o respeito que temos que ter pelo quadro de juízes que estão la em cima julgando, pois sabemos das dificuldades e das responsabilidades que carregam nos ombros. Por muitas vezes discordei de varias notas, que poderiam ter dado a vitoria a um ou outro mas o trabalho nosso e passar ao publico o que os juízes colocaram nas suas papeletas. Uma coisa é certa, como qualquer brasileiro, torcemos para nossos atletas, mas sempre fui e sempre vou ser imparcial, pois eu sou locutor do esporte surf, cujo atletas são de  várias nacionalidades e quando entram na água batalham pelas suas conquistas como os nossos também. Portanto sempre vou dar a emoção que precisar, seja para um brasileiro ou para um atleta estrangeiro, o nome para mim não importa, importa sim a cor da camiseta e se o melhor venceu. Lógico, se for brasileiro eu vou ficar muito mais feliz e isso instintivamente estará claro na emoção. Em relação se a nota não vem a esperada na maioria das vezes eu contorno a emoção, pois é esse meu papel, porém houveram algumas vezes que a frustração foi clara. Faz parte de nossa cultura essa emoção a flor da pele.
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Na foto: Paulo Issa, Rubens Goulart e Pedro Muller.
Cheyne: Durante a missão de fazer a cobertura do evento,  sobra um tempo para ser turista onde acontece as competições?
Paulo Issa: As vezes sim, mas é muito corrido, quando o dia é Off sempre procuramos fazer outras atividades, passear, pegar onda, conhecer os lugares a cultura local etc… Mas, por exemplo aqui em Margaret River, acordamos todos os dias ás 5 da manhã, num frio de 6 graus, tomamos banho e vamos para o campeonato, ao chegar ainda esta escuro e já ficamos fazendo reuniões e procurando saber o que vai rolar no dia, inclusive na etapa de Bell’s fizemos um Morning Show em Português, na verdade 3, então o tempo nessa perna Australiana para passeios esta bem curta. Mas sobrando tempo procuramos fazer algo sim, como qualquer um procuraria fazer.
Cheyne: Você pode nos dar umas dicas de uns lugares para conhecer na Austrália que você visitou?
Paulo Issa: Como te disse aqui esta sendo muito corrido, passeamos muito pouco, mas um dos passeios que pude fazer foi conhecer “Os 12 Apóstolos” que é uma formação rochosa muito bonita pela estrada margeando a costa Great Ocean Road e aproveite para conhecer vários picos alucinantes no caminho.
Cheyne: Paulão, em sua opinião apurada, o quê você acha do surf de Felipe Toledo?
Paulo Issa: Conheço o Filipinho cujo qual chamo carinhosamente de “Piu Piu”, desde ele muito pequeno nas competições no estado de São Paulo, ele é um garoto que sempre foi competidor, desde criança mesmo e numa família que respira o surf, é um dos garotos que via quando criança e já pensava: Esse garoto vai ser CT !!!  Tiro e queda, era somente uma questão de tempo. Foi cobrado do Filipinho o mesmo que se cobrou do Gabriel quando entrou no tour, que seriam atletas somente de aéreos e o Filipinho veio ao longo desse tempo de CT, calando a boca de muita gente, pois tem tido performances em ondas maiores muito acima da média dos atletas mais experientes, pode ver as suas performances no Backdoor de Pipeline e em outras ondas grandes, com posicionamento perfeito nos tubos, bela leitura de onda e o mais importante,  manobras de borda com pressão. Lógico que a partir do momento em que ele ganhar mais complexidade fisica ele vai arrebentar ainda mais, vai jogar mais água, etc… E tudo isso aliado ao que ele sempre soube fazer, manobras futurísticas e aéreos alucinantes, para mim ele é um surfista completo.
Cheyne: Na sua opinião até agora, quem você pensa estar muito bem preparado para ser um campeão mundial em 2015?
Paulo Issa: É difícil alguém dizer ou projetar, pois o circuito Mundial reúne os melhores do Mundo com o mesmo objetivo, muita coisa pode acontecer, temos a comunidade Hawaiana tendo o John John como a esperança de titulo depois do Andy Irons e cá para nós, quando ele esta inspirado e difícil segurar, o próprio Gabriel Medina que já provou ao mundo para que veio, o Mineiro que para mim é um Cyborg, pois foi moldado para ser campeão, com raça e muito surf no pé, Mick Fanning ainda continua on fire, o Kelly que sempre será candidato ao titulo não importa sua idade nem aonde terminou sua posição no ranking no ano anterior, o Filipe Toledo pode surpreender, na verdade são muitos nomes bons e muitas condições distintas durante o tour onde podemos ter varias surpresas.
Cheyne: Vivenciando todo esse profissionalismo , o quê você acha que ainda falta para os surfistas brasileiros que lutam na segunda divisão, tanto no suporte, quanto no próprio nível do surf ?
Paulo Issa: O nível de surf de qualquer competidor só irá crescer com as viagens internacionais, surfando ondas de todos os tipos, formas e tamanhos, e para isso o atleta tem que ter um patrocínio sólido o que é raro no surf brasileiro, infelizmente temos inúmeras marcas ligadas ao surf wear que não investem 1 centavo no esporte, mas arrancam uma gorda fatia do mercado de roupas e acessórios, e essas marcas são as que deveriam estar ajudando os nossos atletas, com patrocínios, investindo no surf de base, eventos e não temos nada disso. Muitos atletas que disputam o QS as vezes conseguem ir para a outra etapa com o dinheiro da premiação que conseguiram, e vão se virando no que podem. Uma coisa é certa, temos grandes surfistas que podem chegar a qualquer momento no CT mas encontram dificuldades para correr o circuito, é uma equação triste onde Atleta – Patrocínio  é = atleta com potencial mas sem chance. Mesmo no tour do CT, existem vários atletas sem patrocínio master, se virando para correr as etapas, poucos são os que sobrevivem a essa situação.
Cheyne: Paulo qual a sua visão em relação ao crescimento do surf no Brasil depois do titulo do Medina?
Paulo Issa: Era esperado um *boom* que realmente não aconteceu, eu esperava que varias empresas voltassem a se interessar em nosso esporte e isso não aconteceu de forma mais explicita até agora, parece que já esta certa a volta do Super Surf, e espero que isso aconteça mesmo, mas esta muito aquém das expectativas.
Cheyne:  E a cultura Australiana é muito diferente da nossa no Brasil ? A diferença é naturalmente visível ? Aconteceu alguma coisa engraçada com você devido a diferença dos nossos costumes ?
Paulo Issa: Na verdade como disse anteriormente andei pouco por aqui, mas fizemos um churrasco aqui e tinha carne de canguru e ela é adocicada e eu falei: Pô tá louco? ?? Quem colocou açúcar na carne ???
Cheyne: KKKK  Meu amigo Paulo Issa, podemos ficar tranquilos com sua presença confirmada na transmissão da etapa do Rio de Janeiro ?
Paulo Issa: Infelizmente não, a Globo tem os direitos de transmissão e a ESPN poderá usar a sua equipe.
Cheyne: Paulão, deixa um conselho para os atletas que sonham em chegar na elite do surf mundial.
Paulo Issa: Determinação, foco e garra.
Cheyne: Muito obrigado Paulo, pela entrevista, na minha opinião pessoal devo dizer que você esta excelente ao extremo, faz a galera não querer dormir  assistindo as baterias da Austrália que devido ao fuso horário acontecem até a madrugada, você está ajudando muito o surf se transformar no novo futebol para nós brasileiros, grande abraço e que Deus o ilumine.
Paulo Issa: Obrigado meu amigo Cheyne, fico muito feliz em poder de  alguma forma estar ajudando o surf brasileiro e ao mesmo tempo fazendo o que mais gosto, eu espero ter outras oportunidades também, obrigado a todos.
Por: Cheyne Kawani / Surf Today

 

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