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Coluna Alexandre Guimarães: Fala um pouco sobre a história do Longboard.

Coluna Alexandre Guimarães: Fala um pouco sobre a história do Longboard.

A primeira vez que vi o surfe de longboard foi no Sundek Classic ainda na década de 80, já tinha uns 2 ou 3 anos de surfe porém de pranchinha, tinha visto apenas fotos de long até então. Lembro perfeitamente das ondas surfadas pelo Daniel Friedman e pelo Mica, foram os dois que mais me impressionaram. Não era nada comum encontrar alguém surfando de pranchão na época, o renascimento ocorreria somente alguns anos depois.

No ano de 1994, encontrei um long amarelo vendendo na Loja da antiga Sky Light, na Rua Guarani, por um preço que não me recordo, mas estava bem barato então comprei. Já na primeira caída me apaixonei de tal modo que em pouco tempo me desfiz das pranchinhas.
A partir deste contato com o pranchão, passei a me interessar pelo estilo clássico e pela “surf culture’, passando a pesquisar a literatura existente, filmes e mais recentemente os blogs na internet. Vi que ser um longboarder depende muito mais de estudo do que de treino, assim como o músico clássico o longboarder não treina e sim estuda o surfe.
De um tempo para cá, houve um verdadeiro “boom” no que podemos chamar de “estilo retrô” ou “clássico”. Isso até certo ponto pode ser bom, mas também corremos o risco de esbarrarmos em certa forçação de barra ou afetação (pelo exagero).
Para fim de estudo podemos considerar como surfe o período posterior à década de 50, depois do advento da quilha, que mudou por completo o modo de se correr uma onda.
Antes tínhamos pranchas sem quilhas e alaias, mas será que isso já era surfe? Havia um grupo culturalmente diferenciado ligado à atividade? Existem registros fotográficos ou filmes de alguém percorrendo uma onda de alaia nas décadas anteriores à 1950?
Certamente não. Temos apenas fotos de homens segurando alaias e posando para as fotos, não existem (pelo menos eu não vi) filmes de alguém percorrendo uma onda de alaia. Acredito portanto que as manobras hoje realizadas com essas tábuas e o modo com que se percorre as ondas com elas atualmente nada tem a ver com que era feito no passado, verifica-se forte influência do surfe moderno.
Após o surgimento da quilha tudo mudou, o surf passou a ir muito além do “retoside”, o surfista passou a ter controle sobre a prancha, acertou as curvas, aprendeu a aproveitar o “curl”. A partir desse ponto tivemos o nascimento do esporte surfe e junto com isso uma cultura própria. Tenho como período áureo do clássico o período compreendido entre o final da década de 50 até o início da década de 70, pois após isso surgiram as mini models e entramos na fase moderna.
O estilo clássico foi preservado sobretudo na California, onde foram mantidos os modelos antigos de pranchas e o estilo/cultura. Lugares como Malibu, Rincon, Blackies, San Onofre e inúmeras outras longas e perfeitas direitas foram e ainda são o museu natural do esporte.
O estudo de estilo está em executar os movimentos de maneira mais harmônica, desenvolver a leitura de onda, fazer o que a onda “pede” e trabalhar a linha. Analisando filmes antigos verificamos que tudo está baseado no “foot work”, na maneira como se caminha sobre a prancha, no modo com que se distribui o peso, na base fechada… assistir Miki Dora, Joel Tudor, Kassia Meador, Gamboa, entre outros, temos verdadeiras aulas. Tentar lembrar disso e tratar de colocar em prática na hora da caída no mar é fundamental, trata-se de transferir para a prática o conhecimento adquirido na teoria, considero essa a parte mais difícil… rsrsrs…..
Com relação ao equipamento também podemos obter bastante informação na internet… encontra-se muito material sobre pranchas e quilhas… O equipamento clássico mais característico é a “singlefin”, a monoquilha, que proporciona curvas redondas e longas, assim como bons noserides. Existem vários tipos de quilhas, com garandes variações de tamanho, largura de base, formato e curvatura, vale a pena experimentar modelos diferentes.
Por fim recomendo a todos que se interessarem em surfar de long que procurem também se aprofundar na história e na cultura, pois vão aproveitar e se divertir muito mais.

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Boas ondas a todos.

Por: Alexandre Guimarães / Surf Today

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