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Dra. Adriana Rossi fala sobre o “Efeito titio Sukita” … O surf após os 40

Dra. Adriana Rossi fala sobre o “Efeito titio Sukita” … O surf após os 40

JR Mirabelli Free Surfer Gran Master tem 51 anos é local do Píer de Mongaguá. Foto Fernando Iseppi.

Com o aumento da taxa da longevidade, aumenta o número de surfistas mais velhos. Atualmente é comum encontrar praticantes do esporte na faixa dos 60 anos ainda ativos dentro do mar. Com um maior número de surfistas praticando o esporte ao longo da vida, há um aumento de lesões causadas pelo surfe.A questão é: o que devo fazer para ter um bom rendimento, ou seja, surfar diariamente ou quando houver um swell, fazer as minhas sessões de surf sem se preocupar com dores e ter energia para desfrutar o surf?

Segundo estimativa, calcula-se que existam 800 mil praticantes do esporte espalhados pela costa brasileira, entre amadores e profissionais. Com a transformação da estrutura das pranchas e da idade dos praticantes, o perfil das lesões mudou. Com essa percepção, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia faz um alerta para o alto risco de lesões em músculos e articulações por causa do esporte.
O surf é diferente da maioria dos outros esportes, e envelhecer com ele exige certos cuidados para não se lesionar a ponto de parar ou interromper o tão desejado prazer que é surfar.

O esforço exigido no surf é algo que o surfista não tem controle, diferente de uma corrida, natação ou ciclismo em que você, com a ajuda de um especialista, pode mensurar o esforço, ou seja, programar o tempo, a dosagem da carga de treino, fazendo com que a atividade física seja mais segura e prazeirosa.

A mesma força que você fazia para surfar com os seus 20 anos é a mesma que você tem que fazer aos seus 40 anos; o mar é o mesmo, as ondas continuam a quebrar com a mesma força e intensidade.

Envelhecer com saúde Envelhecer é uma dura realidade que todos nós devemos administrá-la, porque, com o passar do tempo, o corpo sofre alterações.

Os indivíduos que se exercitam regularmente podem estar bem mais treinados do que os sedentários, mas, em razão do envelhecimento, eles apresentam uma aptidão física menor do que os atletas mais jovens.

O processo de envelhecimento varia bastante entre as pessoas e é influenciado tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos.

A maioria das pessoas mantém a força muscular até aproximadamente 45 anos de idade, apresentando uma queda de aproximadamente 5 a 10% por década, após esse período.

Em média, uma pessoa perderá cerca de 30% de sua força muscular e 40% da massa muscular, entre os 20 e 70 anos de idade.

Mas não se assuste. Um número crescente de estudos demonstrou claramente que os idosos, mesmo depois dos 90 anos de idade, são capazes de aumentar a massa e a força muscular em resposta ao treinamento com pesos.

De forma geral, os estudos sugerem que a queda da força e da massa muscular para os idosos pode ser atenuada pelo treinamento adequado de musculação.

O Vo2 máximo é a capacidade do corpo de captar oxigênio, transportá-lo e utilizá-lo para queimar combustível nas células. É considerado por muitos a melhor medida para representar as alterações que ocorrem no organismo com o passar dos anos.

O Vo2 máximo diminui 8 a 10% por década a partir dos 25 anos de idade, tanto para homens quanto para mulheres. Em qualquer idade, as pessoas podem ter um Vo2 máximo muito maior se elas se exercitarem vigorosamente e se manterem magras.

Quando mais jovem, quem nunca extrapolou os limites surfando horas e horas num mar perfeito? E, mesmo sabendo que o corpo está cansado, os braços com a sensação de que estão queimando na remada, insistem até não agüentar mais!

O jovem e o velho surfista têm algo em comum – a chama acesa do surf, a vontade de surfar -, mas nós, quarentões, temos que prestar atenção nos sinais do nosso corpo, saber como preparar o corpo, quando descansá-lo e como energizá-lo.

No surf, a energia que você precisa dispor para atravessar a arrebentação, atacar a onda e surfá-la no mesmo pico anos atrás, é a mesma que você tem de dispor para surfar com 20, 30 ou a partir dos 40 anos.

Partindo do ponto de que você é um surfista acima dos 40 e surfa semanalmente, siga abaixo algumas dicas:

– Fazer aquecimento antes de todas as caídas na água; ver artigo Aquecer é preciso.

– Praticar uma atividade paralela, musculação, alongamento, natação e yoga, sempre orientado por um profissional especializado. Com a sua ajuda, ele poderá dosar as cargas e as intensidades dos treinos, sempre pensando nas ondas que você vai surfar naquele determinado swell.

– Hoje em dia, os sites permitem visualizar e saber a entrada de um swell, o que facilita a preparação para pegar as ondas.

– No fim de um dia de surfe, após a última caída, fazer um trabalho de recuperação dando um trote e, após os exercícios de alongamento.

– Ficar atento à alimentação e reposição hídrica; ver artigo Combustível para o surf.

– Nunca surfe esgotado. Se você estiver no mar há horas e sentir que os braços estão cansados, saia do mar imediatamente, alimente-se, hidrate-se e faça o trabalho de recuperação.

– Caso sinta alguma dor causada por algum movimento na água, saia e ponha gelo por 20 minutos no local – segundo os especialistas, 20 minutos de gelo por duas horas de intervalo. Caso não resolva depois de 48 horas, procure um médico.

– Não surfe com dores ou force determinado músculo lesionado. Trate-o completamente para depois surfar.

– Se você se sente cansado, descanse, não force o seu corpo, respeite os seus limites.

– Podendo, procure um nutricionista, não tome qualquer suplementação que um amigo tomou. A prescrição de uma dieta de suplementação é individualizada.

– Tome cuidado com a auto-medicação; os analgésicos e os anti-inflamatórios têm seus efeitos colaterais. Procure sempre um médico para avaliar a situação e medicá-lo se necessário.

– Nunca surfe sem se alimentar.

– Preste atenção ao seu corpo, alongue e recupere-o depois de todas as caídas.

– Tenha em mente que se você quiser surfar até o fim dos seus dias, terá que cuidar do seu corpo para desfrutar esses momentos na água.

– Morrer jovem o mais tarde possível, o surfe faz isso pelas pessoas.

Problemas cardíacos e até mesmo nas articulações podem ser prevenidos por praticantes acima de determinada idade.

Master, sênior, veterano, ex-atleta. Estas são as designações variadas para indivíduos praticantes de esportes em geral com mais de 35 a 40 anos , apesar de que surfistas com mais de 25 anos chegaram a ter esse qualificativo de faixa etária porque os campeões tinham idades menores.  Acredite, temos veteranos com mais de 90 anos!

A nossa preocupação atual é por acontecerem, cada vez mais, competições para essa turma animada onde o esporte é o foco e a preparação médica e fisiológica não faz parte da agenda preparatória. Usando exemplos reais de erros que servem de exemplos da nossa preocupação: um campeão brasileiro com mais de 70 anos resolveu se preparar por conta própria para um festivo torneio “master” de surf   e após um mês fazendo a dieta Atkins (aquela hiperproteica sem carboidratos, com a qual nós médicos do esporte não concordamos), teve importante queda da performance física que o levou a procurar ajuda médica. Evidente que isso iria acontecer, porque simplesmente acabou com a fonte energética, que são os carboidratos, e piorou a sua hipertensão arterial, não tratada convenientemente pois temia enfraquecer com a medicação.

Além dos traumas causados por quedas e batidas na prancha, há também problemas causados pelo esforço repetitivo de algumas articulações. Durante a remada para pegar onda, há uma sobrecarga e desgaste. As áreas mais atingidas são pescoço, coluna, quadril e joelhos. Os movimentos constantes de rotação com um pé fixo na prancha, durante as manobras nas ondas, são a principal causa desses problemas.

Sem dúvida, após os 40 anos mesmo tendo sido um atleta/esportista sem problemas médicos, é obrigatória a avaliação médica direcionada primariamente para diagnóstico de doenças cardiovasculares silenciosas e fatores de risco cardiovascular, de alto poder letal, como hipertensão arterial , diabete, colesterol elevado e outros que não estão controlados como tabagismo, obesidade e até mesmo sedentarismo. Afinal, exercício uma vez por semana não resolve nada se for pensar em prevenção e saúde.

Outras questões a serem resolvidas pelo seu médico do esporte é o estado de seu aparelho locomotor: presença de artroses, lesões e rupturas crônicas de tendões, músculos etc., estado funcional dos seus pulmões e, na verdade avaliar os principais órgãos do corpo, efetivos participantes “paralelos” nos exercícios físicos intensos como os rins , tireoide, fígado.
Os ortopedistas recomendam aos surfistas que executem exercícios de alongamento e de resistência para a musculatura. Para os ombros, o ideal é fazer exercícios de rotação externa para fortalecer a musculatura da região. Abdominais de barriga para cima deixam o abdômen forte para sustentar as costas. E o velho quatro apoios com tornozeleira, praticado pelas mulheres a fim de enrijecer o bumbum, também se aplica aos surfistas. Esses exercícios de resistência também ajudam ao equilíbrio.

                 PARA SURFAR POR 100 ANOS:

                PREPARO TÉCNICO:
A preparação técnica deve ser feita por um profissional, de preferência com formação acadêmica. Esse treinamento deve ser feito nos mais variados tipos de onda, condições de mar e locais. Reconhecer suas manobras de maior dificuldade e procurar corrigi-las através de filmagens (se possível) e conversas com seu técnico.

A observação do posicionamento próprio, comparado ao de grandes surfistas, em fotos ou filmes, sobre a prancha é super importante para correção de nosso erros, pois a cada momento da onda se tem a necessidade de um posicionamento específico, saber usar os joelhos como amortecedores e impulsionadores, usar os braços e o corpo como pêndulos mantendo-os com a angulação correta de acordo com cada momento da onda para maior equilíbrio e velocidade.

A repetição do treinamento é muito importante para que se consiga corrigir os erros e realizar as manobras da melhor forma possível, ou seja, com velocidade, radicalidade, pressão, equilíbrio e controle da prancha aliados a um belo estilo e economia de movimentos. O uso do corpo como um todo, juntamente com a prancha (usada de forma harmoniosa) e o mar, torna o surf num dos mais belos espetáculos da terra.

                PREPARO FÍSICO:

                Todo surfista competidor deve fazer um trabalho de preparação física orientado por um professor de Educação Física (com trabalho específico para o surf). O treinamento diário deverá ser feito com muita disposição e seriedade em horários certos, pois somente desta forma o surfista deverá alcançar uma boa condição física e um melhor desempenho esportivo.

Para os praticantes do “free surf” que não queiram ou não possam ter uma orientação profissional, recomendamos que façam exercícios físicos como: correr, nadar e pedalar de forma progressiva até se chegar a mais ou menos uma hora de trabalho diário para cada modalidade e exercício. Fazer aquecimento, alongamento, flexibilidade antes e relaxamento depois do surf é super importante, desta forma Obtém-se um melhor desempenho no mar.

                ALIMENTAÇÃO:

                A alimentação deve ser a mais saudável possível, adequada ao clima local. No caso do competidor, recomendamos o acompanhamento de um nutricionista, principalmente por causa das constantes viagens, variações na alimentação e clima.

Equilíbrio na ingestão de proteínas, vitaminas, carboidratos e sais minerais. Evitar gorduras, sal e açúcar (branco) e fazer as refeições em horários certos, são também ótimos hábitos que mantém uma boa saúde, pois a prática do surf estimula o apetite pelo fato de consumir muitas calorias. Portanto, devemos saber como repô-las da forma mais saudável possível.

                DESCANSO:

                Devido ao grande desgaste físico, orgânico e psicológico decorrente da prática de um dia de surf (no caso de uma competição este desgaste é muito maior), deve-se cumprir um rigoroso horário de descanso de no mínimo 8 horas diárias para repor as energias (de preferência dormir e acordar cedo).

                PREPARO PSICOLÓGICO:

                De modo algum se deve permitir que o surf atrapalhe os estudos (é possível e muito benéfico para o surfista, organizar-se para conciliar as duas coisas). Um surfista não deve ser alienado nem burro. Ele precisará cuidar de seu futuro e, mesmo aqueles competidores que futuramente seguirem o profissionalismo devem se precaver e saber que um campeão não se faz apenas com um bom preparo técnico e físico mas com muita inteligência (procurar ver a vida com maior amplitude). Ser realista e analisar que a vida útil na carreira de um atleta é curta e nem sempre compensadora financeiramente. Portanto estude e tire o máximo proveito do estudo!

                DROGAS:

                O surfista precisa ter um corpo e uma mente saudável, portanto afaste-se delas pois, nossa busca é pela saúde e não pela destruição.

                CONHECIMENTO DE REGRAS E TÁTICAS:

                O surfista competidor deve ter conhecimento de todas as Regras de competição, o que se consegue através de um estudo do Livro de Regras. As táticas de competição são desenvolvidas pela observação, conversas e experiências vividas durante as baterias nos diversos campeonatos e também nos treinamentos, onde colocamos em prática tudo o que foi absorvido para chegarmos ao melhor resultado.

Conclusão: veteranos têm obrigatoriamente que se submeter a avaliação médica especializada, antes de recomeçar sua jornada esportiva para o prazer e para a saúde.

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Dra. Adriana Rossi mora em São Paulo e tem especialização cárdio-respiratória em U.T.I e Medicina Esportiva. Seus trabalhos e investigações apontam para o maior desempenho físico de atletas profissionais e amadores na procura de um equilíbrio muscular. Menos lesões e maior desempenho na água são parte dos resultados obtidos através de diversos programas de treinamento.

 Por: Dra. Adriana Rossi Crefito 64774  / Surf Today.

Sobre JR Mirabelli

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