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Ganância e parasitismo, por Alexandre Guimarães.

Ganância e parasitismo, por Alexandre Guimarães.

Ganância e parasitismo “Morte aos Parasitas”. Já se passaram quase trinta anos desde que o grande surfista carioca Dadá Figueiredo, influenciado pela ideologia do movimento punk da época. gritou estas palavras no microfone em uma importante cerimônia de premiação de campeonato. Tal atitude chocou a todos na época, mas foi um desabafo que ainda nos dias de hoje não deixa de ser atual. As pessoas precisam sobreviver e pagar suas contas, isso é fato, mas muitas vezes o desejo de ganhar cada vez mais ultrapassa o limite do razoável. Quando se pensa exclusivamente em si, nas vantagens pessoais e se esquece do direito e bem estar dos demais, chegamos à ganância. A ganância atinge indivíduos de todos os grupos sociais, gera degradação (ambiental, social e moral), miséria, violência e em última instância as guerras. E a ganância gera o parasitismo, que no conceito biológico se caracteriza pela associação entre seres vivos, na qual existe um ser apenas que se beneficia, e o outro associado é prejudicado nessa relação, mas pode ser muito bem utilizado metaforicamente para demonstrar o processo de exploração aqui tratado. O Surfe, como qualquer outro nicho da sociedade, também é atingido pelas mazelas e desvios de conduta humanos. Empresas e mesmo surfistas algumas vezes chegam a agir como verdadeiros parasitas, aproveitando-se da própria imagem, do esporte, das praias e algumas vezes até de outros surfistas para obterem vantagens, na maioria das vezes financeiras, sem medir as consequências danosas que produzem com isto. O modo de vida surfe é muitas vezes explorado por empresas utilizam em seus produtos imagens ou de algum modo vendem a ideia de que estão ligados ao esporte e deste modo arrecadam milhares ou até milhões, sem que nenhum retorno seja dado ao atleta ou que seja revertido na preservação ou proteção do meio do qual dependemos, as praias e o mar. Além das empresas, choca-nos o fato de que alguns surfistas, que em princípio deveriam estar ligados emocionalmente e até espiritualmente ao “esporte dos reis”, chegam a vender até a alma por dinheiro. A organização de eventos como campeonatos, festivais e shows que degradam o ambiente, produzem lixo, destroem a vegetação nativa e afugentam animais, isso é um exemplo.

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Outro exemplo é a total falta de noção de fabricantes de pranchas que não seguem qualquer norma ambiental no tratamento de destinação dos produtos e subprodutos altamente tóxicos, que polúem o solo, os rios e por fim o mar. Temos ainda o exemplo daqueles que adquiriram propriedades em “picos mágicos” e entraram na onda da especulação imobiliária, loteando e vendendo terrenos, transformando lugares que antes éram paraísos em locais de alta vulnerabilidade, alguns até em processo de favelização, exemplos temos aos montes: Maresias, Trindade, Vermelha do Norte e por aí vai..

 

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Todos sabemos que como humanos somos passíveis de falhas, mas devemos procurar ao máximo ter um comportamento ético, que é fundamental para construírmos um mundo melhor.

Por Alexandre Guimarães/ Surf Today.

 

 

 

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