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Sala de Shape com Josil Mandacarú: A escolha de Mr. Desert !!!

Sala de Shape com Josil Mandacarú: A escolha de Mr. Desert !!!

Foto capa Aleko Stergiou

Tivemos o início da 2 etapa da Tríplice Coroa Hawaiana e última etapa do WQS em 2014, o Vans World Cup of Surfing, em Sunset, Oahu, Hawaii, nesta semana que passou. Mas apenas a 1˚ fase foi realizada em sólidas ondas neste santuário do surf mundial. O evento deve continuar nesta segunda quando será feita uma chamada as 15:30,horario de Brasília, dependendo das condições do mar.

Por isso,vou esperar o andamento da competição e na próxima coluna, semana que vem, retomo o assunto com mais propriedade e já com os  resultados definidos.
Fiquei sem ter o que escrever.
Sem inspiração, eu já pensava até em adiar o texto desta coluna nesta semana, mas do nada, me apareceu a ultima edição do brilhante” The Surfers Journal”, a brasileira, capitaneada pelo não menos brilhante editor Adrian Kojin e impressa pela Editora Gaia, com a qualidade de sempre, do papel à  impressão e com muito conteúdo!!
Folheando a edição 3, em seu terceiro ano de vida, me deparo com uma entrevista com Paul Miller, um americano que já viveu no Brasil e no México, filho único de missionários batístas, que há 25 anos se dedica a pegar tubos, em Desert Point, Lombok, Indonésia, uma das melhores esquerdas e  mais tubulares do mundo.
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Uma mistura de admiração, reconhecimento, inveja e total identificação tomou conta de mim!!!
Como eu não larguei tudo e fui atrás de algum lugar parecido em algum canto deste Planeta??????????
A minha identificação foi muito grande, também por ter esta necessidade de pegar tubos, talvez a maior das minhas buscas nesta vida.
Algo que sempre me deixa melhor, lá onde o tempo não passa, ou melhor, onde o tempo não existe, desaparece. Onde me sinto completamente integrado ao meio ambiente e a natureza, ao oceano e ao seu criador!!
Meu melhor vicío e que mantém meus olhos brilhando!!
Já pensei que deveria ter ficado em Puerto Escondido, no México, onde frequentei bastante na primeira metade da década de 90, pegando tubos.
Também já pensei em viver na Indonésia, naquele paraíso dos surfistas, com suas ondas perfeitas e bancadas incríveis.
Antes, já me arrependia de não ter ido estudar no Hawaii quando era moleque e viver o sonho de surfar Pipeline todos os dias que quebrasse.
Tenho vários amigos, que buscaram seus sonhos e os realizaram, e também os admiro muito, e muitos vivem este sonho neste momento, e só desejo que continuem a viver isso, aproveitando ao máximo sempre.
Por vários motivos, minhas escolhas foram outras.
Foram de permanecer ao lado da minha família e a necessidade de prover minha mãe e minha casa, de continuar trabalhando por aqui, e ir atrás dos tubos quando fosse possível e retornando a base no Brasil.
Tive de pensar com a razão e não com o coração e como se diz por aí, cada escolha, uma renúncia, fiz o que tinha que ser feito.
Consegui seguir surfando até hj, num nível razoável, moro num paraíso que é Ubatuba e apesar das escassas viagens que não tenho feito, continuo sonhando em pegar tubos pelo mundo afora.
Mas vamos ao ponto onde quero chegar.
Para quem surfa, ir a estes lugares mágicos e sentir estas sensações de pegar ondas REALMENTE perfeitas, o que também nos torna mais exigentes e depois voltar a realidade do Brasil, onde temos boas ondas sim, mas que dependem de vários fatores combinados, o que faz termos apenas alguns dias clássicos por ano, é um tanto desestimulante.
Sempre que voltava das viagens, cumpria uma espécie de “quarentena”, até voltar a realidade e tentar me motivar a surfar com o mesmo tesão de antes.
Aquilo que antes fazia a cabeça, agora já não faz mais.
Aquela onda perto da sua casa, que resolvia os seus problemas, já não os resolve!
Tenho amigos que voltam e continuam com a mesma vontade e gana de surfar, qualquer onda …
Outros nunca mais serão as mesmas pessoas.
Conheço alguns que até abandonaram ou trocaram de esporte.
O surf é meio ingrato, dependemos de fatores externos e naturais, mas também é isso que o faz especial, conseguem entender??
Minhas características de surf, o que me faz ter tesão e meus olhos brilharem,me conduzem a esta segunda opção.
Ainda tenho esperanças de voltar a pegar estas ondas que me completam e voltar a ter o brilho no fundo da retina, antes que meu corpo não suporte mais este tipo de situação.
Voltando ao Paul, entitulado na matéria como o “Homem que mais Entubou no Planeta”, e a sua entrevista, um ponto que mais me chamou a atenção, além de sua vida simples (coisa que me identifico muito também), foi a resposta a uma das perguntas, que abordaram o que falei agora há pouco, em parágrafos acima:
Quando vc pega um tubo hoje em dia, ainda é tão divertido como antes????
Ele respondeu:
“Obviamente você fica saturado. Mesmo sendo uma onda tão extraordinária, você se acostuma. Tenho que lembrar disso quando vou ao México. E aqui também. Às vezes vc fica meio chateado, quando vê um cara pegar uma ondinha de merda e ele sai amarradão, comemorando e gritando. Às vezes você pensa”Ah, que prego”. Mas aí vc pensa”Cara, como eu queria ser assim”. Se você ficasse amarradão em ondas assim, seria ótimo.”
Cada um tem seu prisma e sua vivência e às vezes ja pensei assim também, queria ter tesão de surfar uma onda gorda, num mar mexido!!!
Tudo é a maneira como vc vê as coisas e as interpreta.
Outra coisa que me chamou a atenção foi ele ter comentado que não entendia as pessoas reclamando do crowd na água e ao mesmo tempo postando fotos e filmes da sua Go Pro nas redes sociais em suas páginas.
Me senti atingido.
Eu tinha acabado de postar uma foto minha no mural do meu Facebook, de uma foto dropando uma bela onda na Indonésia, na última vez que estive lá, em 2007.
Ele tem razão!!!
Mas pra mim, que estou longe, é uma maneira de voltar a sentir aquele momento, de alguma maneira voltar a surfar aquela onda de novo, me sentir vivo naquilo que me faz bem!
Juro que não quero auto promoção, nem likes, nem bajulação, nem nada!!!!
Canso da mesma foto e mudo, só isso, por algo que me faça olhar e ter uma fonte de inspiração para continuar nesta busca.
Se tivesse tido a coragem que ele teve, morasse em Desert e estivesse entupido de tubos em meu HD mental, pensaria assim, quando diz que prefere pegar as suas ondas e não se preocupar com isso.
Eu ainda dependo do meu pendrivezinho, também mental, de 4 Gigas que acumulei nas minhas viagens e por aqui mesmo.
Confesso me sentir um pouco frustrado por isso,mas continuo buscando por aqui meus tubos, quase a conta gotas e o sonho de poder voltar a frequentar estes cilindros mágicos pelo mundo afora.
Isso me faz acordar todos os dias.
Completando, não me arrependo de nada em minhas escolhas, mas desejo que cada um aqui, que leu este texto, busque seguir seu coração e fazer o que mais ama neste mundo!!!!
Porquê o tempo passa muito rápido!!
Boa semana a todos!!!
Por: Josil Mandacarú / Surf Today.

 

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