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Na coluna de hoje a Dra. Adriana Rossi Fisioterapêuta especialista em esportes radicais  sobre o Joelho Surfístico.

Na coluna de hoje a Dra. Adriana Rossi Fisioterapêuta especialista em esportes radicais sobre o Joelho Surfístico.

O joelho é que nos sustenta em pé, suporta o nosso peso, ajuda na locomoção e no surf. Este segmento articular tem um papel fundamental para a realização das atividades do nosso dia-a-dia (trabalho, esporte hobbies, …) e é muito importante que se encontre estável, sem hiper mobilidade articular. Estudos epidemiológicos revelam grande incidência de lesões na articulação do joelho tanto no free surf como no surf de competição.Mesmo sendo a lesão mais frequente no surf, a torção pode esconder problemas mais complicados. O joelho é uma articulação essencial do surf e sofre constante sobrecarga. Aproximadamente 15% dos surfistas se queixam de dores recorrentes nos joelhos. Nas manobras como “top turn” ou “off the lip”, “floaters”, “lay backs” ou tubos podem ocorrer lesões por rotação ou torção, compressão das estruturas dos joelhos ou combinação do movimento de rotação e compressão.

Em geral, isso ocorre porque os ligamentos são alongados e acabam rompendo. Assim, quando o corpo gira sobre o pé apoiado ou se alguma coisa ou alguém atinge o joelho pelo lado de fora, ocorre lesão nos ligamentos do lado de dentro, normalmente os mais afetados nessas circunstâncias. Dor e inchaço são os sintomas mais comuns, seja na parte de dentro ou em todo o joelho, que poder ficar roxo. A palpação dessa região é muito dolorosa.

Caso sofra uma torção no joelho, você deve parar as atividades, evitando apoiar o pé no chão. Compressas de gelo por 20 minutos a cada hora no primeiro dia e a cada 3 horas nos dias subsequentes são ações recomendadas. A avaliação médica determinará a necessidade de um tratamento mais longo ou a imobilização por curto período de tempo. A cirurgia é indicada apenas em casos muito graves ou quando existe lesão dos ligamentos cruzados e meniscal associada. Nos casos leves, apenas a limitação da atividade pode ser suficiente e o uso de medicamentos fica a critério de seu médico. Articulação do joelho

O joelho é uma articulação que permite grandes amplitudes de movimento (BLANKEVOORT et al., 1991; FRIEDERICH et al., 1992), exigindo um trabalho biomecânico nas diversas estruturas articulares e tendíneo-musculares, justificando uma uniformidade das lesões sofridas ..

Das estruturas envolvidas o menisco lateral foi o que mais sofreu lesão, pois a prática deste desporto exige uma flexão sustentada por um grande período de tempo, nesta situação, o menisco lateral permanece em posição posterior. Ao se exigir uma extensão abrupta, devido uma manobra ou por rotação, este menisco pode não conseguir anteriorizar-se, ocorrendo um “aprisionamento” posterior e consequentemente uma lesão. O mesmo pode acontecer em relação ao menisco medial, porém em menor proporção visto que ele permanece menos posterior em relação ao menisco lateral (BOYD & MYERS, 2003; MUNSHI et al, 2003), justificando o menor índice de lesão nesta estrutura.

O segundo maior índice de lesões no joelho foi de tendinite infrapatelar que pode ser explicado pela constante flexão dos joelhos exigida em quase todas categorias. Esta postura afasta a origem da inserção (patela – platô tibial) deste ligamento, diminuindo assim a irrigação local e aumentando o stress, o que resulta na geração de pequenos traumatismos incorrendo em um processo inflamatório que pode resultar em uma tendinite do ligamento infrapatelar.

A articulação do joelho é constituída por duas articulações “secundárias”: a femuro-tibial (entre os côndilos do fémur e os pratos tibiais) e a femuro-patelar (entre os côndilos femurais e a face posterior da rótula).

Os ligamentos mais importantes são os laterais internos e externos (pois impedem movimentos de adução e abdução, dando grande estabilidade ao joelho fazendo com que este seja apenas uma articulação de flexão/extensão) e os cruzados, anterior e posterior (asseguram a estabilidade antero-posterior do joelho e são o meio mais importante entre o fémur e tíbia). O ligamento cruzado anterior é responsável por 85% da estabilidade anterior do joelho, e o ligamento cruzado posterior é responsável por 95% da estabilização posterior do joelho.

Os ligamentos cruzados anteriores e posteriores são lesados principalmente quando forças em direção opostas agem sobre a coxa e a perna, fazendo movimento de gaveta anterior e posterior de joelho. Este tipo de movimento biomecânico não é comum na prática deste desporto, uma vez que o joelho tende a ficar em semi flexão constante, sustentada, a não ser por solavancos e acidentes com mastros que propiciam posturas que lesam estruturas, como os mencionados acima, promovendo também torções no joelho. (BLANKEVOORT et al, 1991).

 

Dra. Adriana Rossi mora em São Paulo e tem especialização cárdio-respiratória em U.T.I e Medicina Esportiva. Seus trabalhos e investigações apontam para o maior desempenho físico de atletas profissionais e amadores na procura de um equilíbrio muscular. Menos lesões e maior desempenho na água são parte dos resultados obtidos através de diversos programas de treinamento.

 Por: Dra. Adriana Rossi Crefito 64774  / Surf Today

Sobre JR Mirabelli

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