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Os surfistas em selvas de pedras.

Os surfistas em selvas de pedras.

Há mais de 30 anos, o sexagenário Alair Zagonel percorre 460 quilômetros para surfar no litoral gaúcho com a família. A paixão pelo esporte já virou herança de duas gerações.

Apaixonado pelo litoral, Alair Zagonel (60) teve seu primeiro contato com o surfe em meados de 1970, quando viajou ao Rio de Janeiro. Acostumado com o mar, já que sua família saía de Lajeado para passar as férias na casa da praia, em Remanso, ele apenas ouvia falar sobre o esporte pela televisão. A primeira prancha chegou na carona no furgão da Volkswagen, em 1973, trazida do Rio de Janeiro pelo irmão. Único entre os amigos, no mar agitado, Alair carregava a prancha para dentro do mar e, entre caldos e mergulhos, ingressou no grupo dos pri- meiros surfistas do litoral gaúcho daquela década. “As pessoas estranhavam, mas era um esporte estranho e bonito. Eu vi o crescimento gradual do surfe no Estado”, comenta.

Mesmo com um filho pequeno, Alair começou a per- correr todo fim de semana o trajeto de 230 quilômetros para ir ao litoral, rotina que ele nunca abandonou. Na praia, passava diariamente em torno de quatro horas.

dentro do mar. “Minha es- posa ficava na beira do mar, esperando com as crianças. Até hoje, ela tem paciência com o esporte”, ressalta. A paixão pelo surfe seguiu como herança aos filhos, Tiago Zagonel (37) e Lucas Zagonel (30), que aprenderam as técnicas com o pai. “Ele nos deu uma prancha e disse: ‘Tem que remar, em- balar e ficar de pé. O surfe é que nem música, está dentro da gente’”, afirma Tiago.

Com profissões paralelas ao surfe, a principal dificuldade da família Zagonel é es- tar distante da praia. “Nosso sonho é morar no litoral. Tem dias em que a gente sai no domingo de manhã, carrega toda a família e volta no mesmo dia só pra pegar onda em Remanso”, conta Lucas.

O legado de Alair já alcança a terceira geração – Elias Zagonel (10), filho de Tiago, já virou surfista. Há três anos, o menino pegou a primeira prancha e desde lá acompanha o pai, o tio e o avó em todas as viagens para a praia. “Fiquei receoso quando o Elias começou; ele era pequeno, mas não teve jeito, pegou a prancha e aprendeu com a gente”, lembra Tiago.

HERANÇA:

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Foto Frederico Sehn.

Lucas, Alair, Tiago e Elias com a primeira prancha do avô, trazida para Lajeado, em 1973

“Foi passando de pai para filho, de avô para neto e, agora, não tem mais jeito. Quando podemos, vamos surfar em Santa Catarina, onde o mar é mais calmo. O surfe une nossa família, estamos sempre juntos”, comenta Lucas. Para o sexagenário, o surfe é um es- porte e não uma profissão. Talvez por isso esteja tão enraizado na família, como um sentimento. Alair garante que a idade não o afastará tão cedo da diversão: “Enquanto eu tiver forças para caminhar, vou ter foçar para surfar”.

 O hobby que virou profissão

Também veio de Alair a ideia do empreendedorismo da família. Após o surfe, em uma conversa na casa da praia, o avô questionava a farmacêutica da família, Maria Zagonel, que é esposa de Lucas, sobre a ideia de produzir parafina, que é usada pelos surfistas para dar maior aderência entre os pés e a prancha. Funciona como um “chiclet” e evita que o surfista escorregue. A ideia deu certo, e há um ano, a farmacêutica desenvolveu uma parafina com fórmula 100% brasileira, a Maria Parafina, que já está sendo vendida no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná e São Paulo. “As parafinas boas vêm de fora do Brasil e geralmente são caras. A Maria Parafina é 100% brasileira, com formato diferenciado e de qualidade, como as marcas estrangeiras”, explica Lucas. Por meio do empreendedorismo do filho, Alair vê o hobby virar profissão e levar um pouco da família Zagonel ao restante do Brasil.
Maria Parafina

Juntos pelo Surf

(51) 9191.0906
Av. Beijamin Constant, 1319 – Centro – Lajeado – RS
Por: Surf Today /  Fonte: JORNAL O INFORMATIVO DO VALE – Lajeado / RS  Repórter: Bárbara Corrêa.

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