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Vídeos em 360 graus no surfe: idealizadores, grandes iniciativas e futuro promissor.

Vídeos em 360 graus no surfe: idealizadores, grandes iniciativas e futuro promissor.

 Foto: divulgação. 

O surfe é um esporte que abraça as mudanças tecnológicas de maneira muito rápida. Relógios multifuncionais, drones para monitorar as águas, sistemas que antecipam a formação de ondas e câmeras que captam movimentos automáticos são apenas algumas das tecnologias que já fazem parte do cotidiano de muitos surfistas.

Neste mundo que não para de evoluir, os vídeos em 360 graus podem ser a grande próxima novidade. Com idealizadores que já testaram essa tecnologia com sucesso, a participação da World Surf League (WSL) no processo e uma série de outros fatores que serão mencionados abaixo, o futuro dos vídeos em 360 graus é pautado pelo otimismo.

A primeira grande iniciativa

Quando o assunto é vídeo em 360 graus no surfe, entusiastas mais antigos podem se lembrar da iniciativa que a empresa Red Bull teve em 2007. Naquele ano, a companhia contratou um time de especialistas para ir ao Tahiti, um lugar de muitas vitórias para os brasileiros, para filmar as espetaculares ondas de Teahupoo.

Um documentário de aproximadamente 60 minutos chamado “Inside Teahupoo” foi realizado e um dos grandes diferenciais desta produção foi a utilização de equipamentos grandes que captavam imagens em 360 graus.

A obra foi inovadora para o mundo do surfe, mas infelizmente não criou nenhuma tendência. Isto se deve aos fatos de que naquela época a tecnologia para vídeo em 360 graus exigia equipamentos muito grandes, a internet era bem diferente dos dias atuais e o custo era proibitivamente elevado.

Participação de Taylor Steele e o avanço da tecnologia das câmeras em 360 graus

Para o bem das transmissões em 360 graus a tecnologia evoluiu e uma década após o documentário “Inside Teahupoo”, realizar uma filmagem que contenha todos os ângulos é uma realidade muito mais viável para o surfe e outros esportes.

Taylor Steele, um dos grandes produtores de vídeo do surfe, ficou fascinado pela possibilidade de criar grandes imagens através de câmeras 360 graus. Em 2015, ele se juntou com a Samsung e iniciou uma parceria para explorar ainda mais as ondas do Tahiti.

O surfista CJ Hobgood também estava nessa aventura. Utilizando a tecnologia da realidade virtual, o ex-campeão do World Surf League (WSL) foi filmado por uma GoPro com tecnologia totalmente à prova de água.

O resultado você pode ver no vídeo abaixo e Steele mostrou que com apenas uma câmera pequena e outros equipamentos de suporte era possível gravar imagens espetaculares de todos os ângulos. O mais legal disso tudo é que é possível manipular a câmera para todos os lados com simples comandos do mouse.

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Em 2017, a WSL expandiu seus interesses nos vídeos em 360 graus e anunciou uma parceria com a empresa Jeep para lançar uma série de vídeos chamada “Jeep® Sessions: A Surfing Journey in 360°”.

Nesta produção, que conta com a participação de personalidades famosas no ramo do surfe como Hobgood, Dave Klaiber e Steele, o objetivo foi levar a realidade virtual a um novo patamar.

“Queremos dar a sensação de que você pode sentir como é surfar em primeira pessoa. Eu estou muito animado em compartilhar isso. É incrível saber que minha mãe pode sentir como é surfar uma onda de 20 pés”, disse Steele.

A parceria começou na temporada de 2017 e permitiu que os produtores captassem imagens espetaculares com a última tecnologia das câmeras em 360 graus. Tudo isto resultou em ótimas imagens que também são totalmente interativas para o espectador. Tudo fica melhor com óculos próprios para realidade virtual, mas eles não são necessários para assistir o vídeo em todos os ângulos.

Para 2018, a WSL já anunciou que as imagens seriam captadas desta maneira inovadora para uma série de eventos como o Oi Rio Pro, o Billabong Pipe Masters e o Hawaii Women’s Pro, dentre vários outros.


O futuro do vídeo em 360 graus para o futuro das competições

A parceria com a Jeep mostra como a WSL e os grandes produtores do surfe estão antenados nesta tecnologia. A grande abrangência de circuitos que estão sendo captados em imagens 360 graus também é uma prova de que a novidade veio para ficar.

Caso haja uma boa aceitação do público a longo prazo, o surfe poderá integrar os vídeos em 360 graus com cada vez mais frequência e se tornar uma referência esportiva nessa tecnologia.

“Todos estão costumados com a transmissão padrão no surfe em que a câmera fica de longe e o surfista está de lado para o telespectador. Com essa nova tecnologia, tudo vai mudar e vai trazer o espectador para dentro da onda. Ainda vamos ver as transmissões em tempo real em que será possível escolher o ângulo que você quer assistir. Isso vai ser algo incrível”, diz Manuel em um dos vídeos promocionais da “Jeep® Sessions: A Surfing Journey in 360°”.

Ainda é uma tecnologia para grandes produções

Infelizmente para amadores e em pequenas competições ainda não é completamente viável captar imagens em 360 graus. O site Learning Surf Photography dissecou a produção do vídeo de Steele com Hobgood realizado em 2015 e mapeou o custo dos equipamentos utilizados na sua produção.

O site chegou a conclusão que, com câmeras GoPros e equipamentos necessários para a realização do vídeo, eles tiveram que gastar aproximadamente US$ 8,3 mil (que ultrapassa os R$ 25 mil reais em equipamentos). O custo atual é significativamente menor que o de 2007, mas ainda é considerado alto para uma parcela significativa do esporte.

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“Isso é inviável para a maioria das pessoas. É possível conseguir algumas imagens em 360 graus com o smartphone, mas certamente não ficará muito profissional”, completa Ben Pascoe no artigo para o Learning Surf Photography.

A tecnologia 360 graus também em outros esportes e atividades

Outros esportes também já descobriram as maravilhas que um vídeo em 360 graus pode fazer para o visual e atualmente o poker é um dos mais proeminentes no uso da tecnologia.

A variação mais comum do poker é o Texas Hold’em. Nesta modalidade há entre dois a oito competidores na mesa, o que faz com que a utilização da câmera 360 graus seja ideal para captar a ação em todos os ângulos sem precisar de cortes para focar em cada um dos atletas.

Tom Mills foi um dos profissionais que trouxeram à tona o vídeo 360 no poker. O fotógrafo profissional costuma utilizar câmeras GoPros aliadas a um equipamento especial para capturar tudo que acontece na mesa de uma só vez.

“Para reduzir o paralaxe, geralmente queremos a menor câmera possível; então, normalmente, GoPros são usadas. Nesta filmagem, utilizamos um equipamento izugar, com lentes especiais mais amplas colocadas nas GoPros”, afirma o profissional.

A tecnologia com transmissões em 360 graus também está presente no salto de paraquedas (skydiving). A empresa sul-coreana Samsung já realizou algumas produções neste sentido e em 2016 a emissora sueca TV4 iniciou uma série chamada “Veckans 360”, que filmou as experiências de algumas pessoas pulando de paraquedas em 360 graus e proporciona um alto nível de imersão.

Os esportes ainda estão longe de ter transmissões em 360 graus como o padrão. No entanto, o surfe largou na frente e caminha a passos largos para a popularização deste tipo de tecnologia em competições de grande porte, ao mesmo tempo em que demonstra seu potencial enorme para todos as outras modalidades.

Por: surf Today / fonte: Anchor Text: Texas Hold’em

 

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